domingo, 15 de dezembro de 2013

Selva de Pedra – até quando?

Selva de Pedra – até quando?



As grandes cidades estão se desenvolvendo a cada dia mais, como já sabemos. É um movimento que começou no início do século XX e essa modernidade tem suas vantagens e desvantagens.

Podemos citar o desenvolvimento humano, tanto intelectual quanto em qualidade de vida, como uma das vantagens desse momento. As cidades estão crescendo verticalmente, tecnologias são implementadas, a acessibilidade está em pauta, a preservação do meio-ambiente e a consciência de que precisamos tomar certos cuidados com nossas atitudes em relação ao ambiente em que vivemos é cada vez mais séria.

Hoje a responsabilidade social e ambiental tem função importante no desenvolvimento da sociedade e como exemplos do que fazer para cuidar dos nossos recursos e preservar o meio em que vivemos, as empresas modernas estão sendo mais cobradas a adotar posturas consonantes com o momento atual. Ninguém aceita mais empresas que poluem rios e soltam gases tóxicos na atmosfera sem falar nada: é um conceito geral que a mudança começa com pequenos gestos individuais, mas é grande também a responsabilidade das organizações para que utilizem os recursos de forma consciente e ajudem nessa tarefa difícil que é a consciência ambiental e a mudança de postura.

A administração pública, por exemplo, tem papel importante para atingir as diversas camadas da população levando a informação necessária e conscientizando as pessoas desde quando crianças até a melhor idade. Em alguns casos extremos, adotar políticas mais rígidas também se faz necessário, como no Rio de Janeiro, onde uma pessoa que joga lixo no chão pode ser multada em até R$980,00! O que isso significa? Que a situação é tão urgente que não havia mais soluções disponíveis do que “mexer no bolso” do cidadão (pode até parecer injusto, porém, as pessoas às vezes só mudam quando o assunto é dinheiro).

Outro exemplo interessante acontece no município de Sorocaba (SP) que realiza projetos nas escolas públicas para que os alunos dos primeiros anos aprendam a cuidar do meio-ambiente e da água, nosso bem mais precioso. Mas é claro que de nada adianta criar diversos programas com esse objetivo sem se atentar para a sequência, ou seja: os projetos devem ter início, desenvolvimento e acompanhamento, não pode ser uma coisa que acontece uma vez e depois ninguém mais lembra. É necessário dar continuidade.

Encontrei um caso interessante nos EUA, visando a eliminação de problemas com as enchentes: a remoção de calçadas para devolver áreas permeáveis às cidades. Em um primeiro momento, parece uma medida polêmica, afinal, “descalçar” as passagens de pedestres pode prejudicar a acessibilidade e assim o movimento terá resultado negativo.

Mas no caso desses americanos de Portland, Oregon, a ideia é consciente: “tudo é feito com permissão das autoridades locais, em casos de espaços públicos, ou de proprietários de terrenos”, afirma o diretor do projeto Eric Rosewall. Ele relata ainda que “somos procurados por pessoas com fome de ação. Gente que gosta do trabalho pesado e do que chamamos de ‘destruição coletiva’”.

Nesse caso, as ruas e calçadas que o movimento retira o concreto acabam virando jardins, escolas infantis, hortas comunitárias e vegetação, compondo um cenário mais vivo e permeável, ajudando a resolver problemas com enchentes escoando a água da chuva.

É claro que essa atitude, no Brasil, iria gerar questionamentos ou sarcasmos como: “nas calçadas e ruas daqui nem precisaremos retirar o concreto. Já não tem! E o que tem está horrível.” Porém, a ideia é interessante para compreendermos como podemos ajudar a melhorar o ambiente em que vivemos com simples atitudes e vontade de mudar e melhorar.

RCHRISTANELLI4


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