Pós-graduação e MBA podem
ser alternativa para começo de nova carreira
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Pessoal
Paula deu uma guinada da
Veterinária para o Esporte
Amante
dos animais e dos esportes, a paulistana Paula Reina, de 27 anos, não sabia se
prestava vestibular para Educação Física ou Medicina Veterinária. Escolheu a
segunda opção, formou-se em 2008 e passou um ano atuando em uma clínica. “Daí
percebi que não era ali que eu queria estar”, lembra.
Em vez
de começar uma outra graduação – que demoraria quatro anos –, ela decidiu
encurtar o caminho e apostar em um curso mais rápido e focado. Matriculou-se no
MBA em Marketing Esportivo da Escola Superior de Publicidade e Propaganda
(ESPM). “Tive de me acostumar com alguns termos e com o volume de texto, mas
logo estava adaptada e pronta para a mudança.”
Apesar
da nomenclatura, a especialização não serve apenas para quem já atua em uma
determinada área e quer aprofundar seus conhecimentos no tema. Pode ser também
uma opção para aqueles que buscam novos ares. “Talvez a pós não seja o único
caminho, mas é um dos mais eficazes”, diz Ana Luisa Vieira Pliopas, professora
do Master in Business and Management (MBM) e coordenadora de colocação
profissional da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação
Getulio Vargas (FGV).
No
entanto, não há mágica. A decisão de fazer uma pós-graduação – especialização
ou MBA – como estratégia para mudar de área precisa levar em conta alguns
pontos importantes, como o mercado de trabalho, a atuação profissional (para
não ter de fazer uma outra troca) e o suporte financeiro necessário para
custear a transição. É fundamental ter em mente os ônus da escolha.
Mudanças
no início da carreira costumam ser mais fáceis. Paula, que trocou Veterinária por
Gestão de Esportes, atua no departamento de marketing de um clube esportivo.
Conseguiu o emprego antes mesmo de terminar a pós. “Estou mais feliz e com
salário melhor do que eu tinha na clínica”, diz.
Uma
ascensão financeira que seria mais complicada caso ela já tivesse uma
trajetória profissional consolidada. “Se uma bióloga com anos de carreira
decide ser psicanalista, vai precisar começar de baixo. Então tem de ter um
conforto financeiro”, explica Irene Azevedo, professora de Liderança e Gestão
de Carreiras na BBS Business School.
Complemento
Mudar
de área com anos de experiência e sem perda financeira é viável caso a opção
seja por uma transferência dentro da própria organização. “Nesse caso, acaba
sendo uma ampliação do conhecimento que gera maior flexibilidade”, diz Silvio
Laban, coordenador dos programas de MBA do Insper.
Entrevista
Marcelo Saraceni - presidente da Associação
Brasileira das Instituições de Pós-Graduação
Existe um momento ideal para fazer um MBA?
As pessoas estão entrando cada vez mais cedo e acho
que o aproveitamento pode ser pequeno. A idade é relativa, mas é importante que
se tenha uma maturidade profissional e acadêmica. É mais proveitoso quando há
uma perspectiva na carreira, em que o profissional vislumbre o que deseja em
função do seu planejamento.
Em que medida um curso como esse pode mudar a
carreira?
Sempre digo para meus alunos que o MBA vai
fornecer, no máximo, 40% do que você precisa, por maior que seja a carga
horária. O resto é esforço individual. Vai do aluno buscar a bibliografia, a
aplicação prática daqueles conceitos e estudar fora das aulas.
Qual é a diferença entre os tipos de cursos?
A denominação do MBA acabou se popularizando para
nomear cursos de gestão e já perdeu o sentido original europeu e
norte-americano, que é o de um mestrado em gestão. Hoje temos o chamado MBA
Executivo, mais pesado e sofisticado, que lembra o original. E também há alguns
mais específicos, em recursos humanos ou marketing, que tentam atender às
necessidades de um profissional mais completo, além das pós em outras áreas,
como saúde.
Como avaliar a qualidade dos cursos, uma vez que
não há parâmetros oficiais, como nos mestrados e doutorados?
O aluno deve procurar conhecer a instituição, quem
são os formados, empresas que costumam contratá-los e se há parcerias
internacionais. Existem rankings internacionais de MBA que, dependendo do plano
de carreira e da possibilidade financeira, apontam opções, em geral fora do
País, porque são poucas as brasileiras que aparecem. O principal é o foco da
instituição./ PAULO SALDAÑA
Ocimara Balmant - O Estado de S. Paulo

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