Vale a pena fazer uma pós-graduação a distância?
Que a pós-graduação dá um upgrade todo especial ao
currículo, disso ninguém tem dúvida. Mas e se ele é feito em casa? Os cursos de
e-learning são cada vez mais comuns nas especializações. É também nas pós e
treinamentos que a oferta mais cresce, além de ter aumentado o número de
faculdades que utilizam essa forma de estudo para as graduações. A oferta
aumenta a cada ano, mas, afinal, como o mercado vê a realização destes cursos à
distância que têm na tecnologia sua base técnica? Depende do perfil da
companhia, dizem especialistas.
As empresas mais ligadas às
transformações que a informática nos traz e as mais abertas à inovação são as
que mais valorizam e empregam essa forma de aprendizado, conta Crismeri Delfino
Corrêa, vice-presidente de Gestão e Inovação da ABRH (Associação Brasileira de
Recursos Humanos). Nas empresas mais conservadoras, que ainda desconhecem o
conceito, o fato de ter um e-learning no currículo pode não fazer diferença
nenhuma. Mesmo nesse tipo de empresa, o aluno deve levar em consideração que
uma especialização é sempre valorizada, seja em sala de aula, seja através do
uso da tecnologia. Mas o conteúdo deve ser útil no dia-a-dia da companhia.
"O e-learning ainda é uma
metodologia que precisa quebrar paradigmas em relação ao presencial",
afirma Crismeri. Esse desafio envolve o estudante, que precisa ter o
compromisso necessário para se dedicar às aulas sem a cobrança de um professor
diretamente. O aluno passa a gerenciar seu tempo, com liberdade para determinar
os dias e horários dedicados ao estudo, assim como com a vantagem de poder
aumentar as horas dedicadas a outras atividades.
"O e-learning não compete
com o ensino presencial, é um modelo alternativo", explica Paulo Mendel,
diretor de e-learning da ABRH, destacando que é mais comum em pós-graduação e
treinamentos, em função de os conteúdos serem mais adaptados a esse modelo.
Isso porque geralmente as pessoas que buscam especializações têm domínio da
informática e estão familiarizadas em buscar informações através da internet.
Crismeri lembra que essa oferta é acompanhada pela demanda, já que os cursos de
pós-graduação e treinamentos à distância são justamente os mais procurados
pelos alunos.
A grande diferença é que o modelo
tradicional é centrado no professor enquanto que, no ensino a distância, o
enfoque volta-se para o aluno. Ele passa a ser o centro, reforça Mendel, pois é
quem vai correr atrás do desenvolvimento e do conhecimento. Já no caso de
universidades e escolas, há uma tendência de trabalhar o blended e-learning,
que une a educação a distância com a aula tradicional. Esse formato de curso é
comum em convênios de instituições brasileiras e estrangeiras, segundo Crismeri.
"Quando avalio alguém que
realizou um curso e-learning, avalio da melhor maneira possível, pois mostra o
interesse do candidato na capacitação e toda a complementação nos estudos é
muito bem-vinda", atesta Eduardo Vargas, gerente-geral de Lojas das Lojas
Renner, que é formado em administração de empresas no formato presencial e
realizou dois cursos de pós-graduação através de e-learning. "Aprendi que
o que vale para reter o aprendizado é a prática, seja online, seja
presencial", diz Vargas.
Quanto maior o preparo do aluno,
maiores as exigências, por isso as ferramentas são cada vez mais interativas
inclusive com animações baseadas em teorias de jogos, onde o aluno pode fazer
simulações baseadas em inteligência artificial. A internet serve de base para
diversas comunidades de prática - como são chamadas as alternativas para
disseminar os conceitos -, como reuniões online, chats, fóruns de discussão,
videoconferência.
Apesar de o professor não estar
na mesma sala que você, não se engane em relação à cobrança de conteúdos,
porque há um acompanhamento do desempenho e avaliação do horários de acesso.
Claro que o modelo não é perfeito. A distância, diz Crismeri, se perde o
convívio direto com colegas e professores e o aluno fica sem o auxílio direto
dos colegas. Mas há cursos que promovem interação entre todos, seja em salas de
bate-papo, vídeo-conferência... vai depender do curso e da instituição que você
escolher.

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