Quando o fim é o começo
Cursos de MBA dão certificado de conclusão a alunos
com ideias inovadoras para os negócios.
Fazer um
MBA pode trazer resultados muito práticos, e não só para a carreira. O trabalho
de conclusão pode alterar o gramado de um estádio tradicional, inaugurar
uma linha de exportação, eliminar os escritórios da empresa ou até criar uma
nova escola de negócios.
Tome-se a
história de Raphael Biazzetto, de 34 anos, diretor de formação de atletas e
negócios do Atlético Paranaense. Concluiu em junho seu MBA em gestão e
marketing de entidades esportivas pela Anhembi Morumbi, e seu projeto era
colocar grama sintética na Arena da Baixada, em Curitiba. Com a reforma para a
Copa do Mundo, o estádio ficaria ainda mais atraente para eventos. “É
mais resistente e de manutenção mais barata”, afirma Raphael. Durante o curso,
ele visitou as instalações do Real Madrid e constatou que a maior parte
dos campos de treinamento é de grama sintética. “E dá menos lesão, já que é
lisa, sem buracos”, diz. A ideia ainda não foi implantada pelo clube, mas
foi apresentada à diretoria e teve “boa aceitação”, segundo a assessoria. Dois
colegas de Raphael no MBA hoje trabalham no Atlético, o que mostra também
a força do networking.
Formada
em Letras, a gerente de negócios internacionais da Golden Distribuidora,
Aderlene Lopes, de 47 anos, trabalhava na área há 20 sem formação
específica. Sua empresa já produzia bobinas e mídias (como CDs) com marca
própria, e ela achava que era a hora de achar um mercado novo, como a Europa.
Mas debates com os colegas e professores na escola de negócios da FGV a
convenceram de que, pela proximidade e pela situação da economia, a Argentina
era mais promissora. As bobinas já estão nas prateleiras do país vizinho
e ela aguarda agora os resultados das vendas. “Quem resolve estudar está
empreendendo e vai crescer”, garante. “Minha meta agora é fazer todo ano
um ou dois cursos de Comércio Exterior, para me reciclar.”
O projeto
de MBA de Heitor Mello Peixoto, de 45 anos, foi uma escola de MBAs. Ele estudou
na Escola de Lausanne, na Suíça, e apresentou em 1994 o “Business School
São Paulo Project”. Hoje a BSP tem quatro endereços na cidade. “Na época, quase
ninguém no Brasil tinha ouvido falar de MBA, e passávamos pelos efeitos
da abertura econômica promovida por Collor”, lembra Heitor. Ele alistou como
sócios dois colegas mais novos, que cursavam a graduação. Quando voltou à
Europa, para a apresentação do trabalho em banca, já tinha iniciado o projeto,
com dinheiro captado com parentes.
Quando
foi estudar na Dom Cabral, o diretor de vendas da Goodyear Luis Garcia, de 39
anos, tinha a ideia de aproximar os vendedores dos clientes. A empresa
tinha sete escritórios regionais. O projeto do MBA foi fechar todos e
substituí-los por dez escritórios virtuais. “Agora o gerente fica mais tempo
em campo, com revendedores, e pode conhecer melhor os clientes”, explica.
“A cultura da empresa também se fortaleceu”, afirma Luis, “porque, se antes o
gerente vinha ao escritório central uma vez a cada três meses, agora vem
todo mês. O importante para um projeto é as pessoas se engajarem, tem de ter
significado para elas.”
Cedê
Silva - Especial para o Estadão.edu

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